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Florianópolis ganha sua primeira xiloteca pública, no Jardim Botânico, no Itacorubi

Exposição permanente de coleção científica de madeiras reúne mais de 200 peças e começa neste sábado, 22 de agosto, às 10h

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A Prefeitura de Florianópolis inaugura neste sábado, 22, às 10h, a primeira xiloteca pública da cidade, no Jardim Botânico. A iniciativa envolve a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e reúne mais de 200 peças de madeira, representando mais de 100 espécies de árvores nativas e exóticas. A visitação é gratuita, de terça a domingo, das 7h às 19h.

A palavra xiloteca vem dos termos gregos xýlon (madeira) e théke (coleção, guarda) e designa uma coleção científica de madeiras. Assim como uma biblioteca reúne livros, a xiloteca reúne amostras catalogadas, em que cada peça registra características próprias de sua espécie, de sua origem e das condições em que a árvore cresceu. O acervo funciona como material de apoio à pesquisa, à identificação de espécies, ao ensino e à educação ambiental.

A coleção reúne espécies nativas e exóticas e foi criada para subsidiar estudos científicos e documentar a diversidade das madeiras catarinenses. “O acervo foi disponibilizado ao Jardim Botânico de Florianópolis e a transferência assegura a preservação do material, além de ampliar seu papel na pesquisa, na conservação e na divulgação do conhecimento científico”, explica o presidente da Associação do Jardim Botânico de Florianópolis (AJBF), o pesquisador Dr. Zenório Piana.

“Uma xiloteca não conserva apenas madeira. Ela conserva conhecimento sobre as florestas, sobre o clima do passado e sobre a relação entre as pessoas e as árvores. Trazer esse acervo para um espaço público e gratuito significa colocar ciência ao alcance de quem visita o Jardim Botânico”, afirma o Secretário Adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, William Nunes.

O que o visitante vai encontrar

A exposição convida o público a observar a madeira para além de seu uso cotidiano. O percurso parte da ideia de que toda árvore registra em seu tronco as condições ambientais a que esteve submetida. A disponibilidade de luz, os ventos predominantes, os períodos de seca, a inclinação do terreno e os galhos perdidos em tempestades deixam marcas permanentes na estrutura da madeira. Curvas, nós e deformações indicam evidências da história de vida de cada indivíduo.

Um dos núcleos é dedicado aos anéis de crescimento, formados a cada ciclo anual. Anéis largos indicam anos de crescimento intenso e anéis estreitos apontam períodos de dificuldade, como secas e frio. Um disco de madeira funciona, nesse sentido, como um arquivo natural do clima.

O visitante encontra ainda uma instalação em que amostras de espécies exóticas ficam suspensas em alturas diferentes conforme o peso. As peças mais leves ocupam as posições altas e as mais densas se aproximam do solo, o que transforma a densidade, uma característica invisível aos olhos, em um gradiente que pode ser percorrido com o olhar. As madeiras vêm de árvores originárias da América do Norte, da América Central, da Europa, da África, da Ásia e da Oceania.

Completam a mostra fragmentos de madeira petrificada, em que a matéria orgânica foi substituída por minerais ao longo de milhões de anos sem que a estrutura original se perdesse, um núcleo sobre nomenclatura científica que explica por que a mesma espécie recebe nomes populares diferentes em cada região do país e um painel sobre a presença da madeira na criação artística, de esculturas e máscaras a instrumentos musicais, xilogravura e arte sacra.

A estrela da exposição

Até o fim do ano, a xiloteca deve receber a peça mais imponente do acervo, um disco retirado do tronco da quarta maior araucária (Araucaria angustifolia) do Brasil, conhecida como Pinheirão. A árvore ficava na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, no Meio-Oeste catarinense, e tombou em maio deste ano. Tinha 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito.

“Ainda vamos receber uma ‘bolacha’ da quarta maior araucária do Brasil. É o disco de uma árvore que foi acompanhada por pesquisadores durante décadas. A peça ainda está em processo de secagem, que precisa ser completa para que a madeira não rache. Assim que estiver estabilizada, ela vem para o Jardim Botânico. Vai ser a estrela da nossa exposição”, afirma o gerente do Jardim Botânico de Florianópolis, Roberto Amaro.

Serviço

O quê: Inauguração da primeira xiloteca pública de Florianópolis
Quando: Sábado, 22 de agosto | 10h
Onde: Jardim Botânico de Florianópolis, Rodovia Admar Gonzaga, 742 a 782 – Itacorubi
Quanto: Gratuito
Visitação: Terça a domingo, 7h às 19h

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