A amamentação pode começar no peito, mas o apoio começa muito antes. Em São José, gestantes, mães, pais e familiares encontram no Centro de Incentivo ao Aleitamento Materno (CIAM/SJ) orientação e acolhimento desde a gestação e também nos desafios que surgem depois do nascimento. Durante o Agosto Dourado, esse trabalho permanente ganhou mais um momento de encontro, informação e troca de experiências com o Curso de Amamentação realizado nesta sexta-feira (21), na Policlínica Municipal de Forquilhinha.
O encontro reuniu famílias em diferentes momentos dessa jornada. Algumas ainda estão esperando a chegada do bebê e participaram para se preparar e tirar dúvidas. Outras já vivem os primeiros dias da maternidade e buscaram orientação diante das dificuldades que podem aparecer nesse período.
Entre elas estava Raquel Siqueira, acompanhada do esposo e do pequeno Noah, que tem apenas oito dias de vida. Ainda aprendendo a rotina com o filho recém-nascido, a família participou do curso depois de Raquel enfrentar dificuldades logo nos primeiros dias.
Após uma cesariana, ela ficou preocupada porque o leite demorou a descer. A ansiedade aumentou quando o leite começou a empedrar. Foi nesse momento que procurou o CIAM e encontrou o suporte necessário para seguir com a amamentação.
“Nos primeiros dias eu fiquei muito nervosa, porque o leite não descia. Como eu tinha feito cesárea, fiquei com medo de não conseguir amamentar. Depois o leite começou a empedrar e eu procurei o CIAM. Foi onde encontrei todo o respaldo, orientação e apoio que precisava. Hoje estar aqui com o Noah, com apenas oito dias, mostra o quanto esse acompanhamento é importante para a gente se sentir mais segura”, conta Raquel.
Para ela, o apoio recebido não veio apenas dos profissionais. A participação do esposo também foi importante para enfrentar os primeiros desafios e compreender que a amamentação envolve toda a família.
“O apoio do meu esposo fez toda a diferença. A amamentação não é só da mãe. Quando a família entende o que está acontecendo e sabe como ajudar, tudo fica mais leve”, afirma.
Apoio que começa ainda na gestação
A história de Raquel é apenas uma das muitas vivenciadas pelas famílias acompanhadas pelo CIAM. O serviço atua durante todo o ano e recebe também mulheres que ainda estão grávidas, justamente para que informação e preparação aconteçam antes da chegada do bebê.
A enfermeira Mayara da Silva Jochem, que atua no CIAM, explica que esse acompanhamento permite construir uma relação de confiança com a família desde o início.
“Quando uma família chega ao CIAM ainda na gestação, nós já começamos a construir esse caminho juntos. Conversamos sobre o que esperar, tiramos dúvidas e trabalhamos os medos e as inseguranças. Depois que o bebê nasce, esse vínculo continua. Se aparece uma dificuldade, se a mãe sente dor, se tem dúvidas sobre a pega ou sobre a produção de leite, ela sabe que tem onde buscar ajuda. Nosso trabalho é estar ao lado dessa família, respeitando cada história e cada realidade”, destaca Mayara.
Entre as orientações estão questões relacionadas ao posicionamento e à pega do bebê, prevenção de complicações, produção de leite e dificuldades que podem surgir ao longo da lactação.
Mais do que transmitir informações, o CIAM busca oferecer segurança para que a mulher saiba que pode pedir ajuda sempre que precisar.
Informação para enfrentar mitos e inseguranças
Durante o curso, a enfermeira do CIAM Lígia Mara Caetano Machado Serafim falou sobre mitos e verdades da amamentação e reforçou que informação e apoio são fundamentais, especialmente nos primeiros meses de vida da criança.
“O Agosto Dourado é um momento importante para reforçarmos uma mensagem que faz parte do nosso trabalho durante todo o ano: apoiar esse processo é fundamental. A primeira fase da infância é muito importante e toda mãe precisa de apoio. Muitas vezes, existem mitos, medos e inseguranças que podem ser esclarecidos com informação e com profissionais preparados para acolher essa mulher”, explica Lígia.
Para a profissional, envolver a família nesse processo também ajuda a diminuir a pressão sobre a mãe e fortalece a rede de apoio necessária para que ela consiga enfrentar as dificuldades do dia a dia.
Um trabalho que vai além da orientação técnica
Para a coordenadora da Policlínica Municipal de Forquilhinha, Jane Damásio, o diferencial do CIAM está justamente na forma como o atendimento é construído ao longo do tempo.
“O trabalho realizado pelo CIAM vai muito além da orientação técnica. É um trabalho de escuta, acolhimento e construção de confiança. Muitas vezes, a mulher chega insegura, cansada ou com medo de não conseguir amamentar, e encontra aqui profissionais que olham para ela e para aquela família de forma individualizada. Quando fortalecemos a mãe, fortalecemos também o bebê e toda a rede que está ao redor dela”, afirma Jane.
O curso realizado nesta sexta-feira faz parte da programação do Agosto Dourado, mas representa uma atuação que segue ao longo de todo o ano. Gestantes, puérperas, nutrizes, pais, avós e demais familiares podem receber orientações e acompanhamento de acordo com as necessidades de cada família.
605 mulheres atendidas em 2026
Somente em 2026, o CIAM já realizou atendimento a 605 mulheres, número que reforça a importância do serviço especializado oferecido pela Prefeitura de São José.
O Centro de Incentivo ao Aleitamento Materno funciona na Policlínica Municipal de Forquilhinha e integra a rede municipal de atenção à saúde da mulher e da criança. O acesso ao atendimento ocorre por meio de encaminhamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro da paciente.
O acompanhamento inclui orientação durante a gestação, preparação para a amamentação e suporte após o nascimento, diante das dificuldades que podem surgir durante a lactação.
Uma rede que permanece
Com apenas oito dias de vida, Noah ainda está conhecendo o mundo. Para Raquel e o esposo, também é um período de descobertas, aprendizado e adaptação. Ter um lugar onde possam buscar orientação transforma esse começo.
É essa rede que o CIAM busca fortalecer em São José: um apoio que não termina quando o Agosto Dourado acaba e que começa antes mesmo de o bebê nascer.
Porque, para muitas mães, saber que existe alguém para orientar, escutar e acolher pode fazer toda a diferença entre enfrentar uma dificuldade sozinha e descobrir que ela não precisa passar por isso sozinha.






