Celebrado no dia 24 de agosto, próxima segunda-feira, o Dia da Infância traz à tona discussões urgentes sobre o impacto dos eletrônicos no desenvolvimento das crianças. Na contramão do uso precoce e excessivo de celulares, a Marista Escola Social Lúcia Mayvorne — unidade que oferece ensino 100% gratuito no Monte Serrat — aposta na literatura diária para garantir que a infância seja vivida com imaginação, presença e diálogo. A prática tem gerado resultados expressivos: os estudantes do 1º Ano já alcançaram a marca de 100 livros lidos no ano letivo.
A conquista é fruto da Roda de Acolhida, um encontro diário no primeiro horário da aula em que a turma se reúne para desacelerar a chegada, compartilhar vivências e se preparar para aprender junto. As obras ficam em um varal literário ao alcance dos estudantes, e são escolhidas a cada dia por uma das crianças. A professora da turma, Aline Terozeni, conta que o momento inclui canções, conversas sobre a rotina e sentimentos, seguido da leitura mediada pelos educadores e troca de impressões. Às segundas e sextas-feiras, o rito acontece na biblioteca escolar.
“Esta é uma ação que faz parte da nossa rotina. Nosso principal objetivo é despertar o desejo pela leitura justamente no momento em que as crianças estão construindo seu caminho como leitoras e escritoras. Em um tempo em que as telas ocupam tanto espaço na infância, buscamos fazer da roda de acolhida um convite para imaginar, sentir, conversar e descobrir novos mundos por meio dos livros”, explica a docente.
O desafio do celular e o equilíbrio com o mundo digital
A abordagem da escola busca não ignorar a presença dos celulares na rotina das famílias, mas conversar sobre o assunto de forma acolhedora e reflexiva. Aline conta que um dos momentos marcantes da turma aconteceu durante a Campanha Marista sobre Conexão Segura, quando a leitura do livro Larga esse Celular gerou diálogos profundos sobre o equilíbrio necessário entre o mundo digital e as vivências fora das telas.
“A prática pedagógica tem mostrado que a literatura conquista seu próprio espaço quando se transforma em um momento de escuta, imaginação, diálogo e pertencimento. A aceitação das crianças tem sido amplamente positiva: os alunos aguardam a roda de acolhida diariamente, demonstram curiosidade para descobrir qual será a história do dia e participam ativamente das rodas de conversa, provando que o livro pode ser tão envolvente quanto os eletrônicos”, pontua.
Mediação na alfabetização, curadoria e letra bastão
Por estarem no início do processo de alfabetização, descobrindo sons, letras e palavras, os estudantes participam das leituras como ouvintes atentos, observando ilustrações e formulando hipóteses. Em momentos como a dinâmica do bastão da fala, cada criança compartilha suas impressões respeitando o tempo do colega. Para dar autonomia ao aprendizado, a curadoria pedagógica prioriza obras escritas em letra bastão, facilitando o reconhecimento de palavras que estão sendo estudadas em sala de aula.
A escolha do acervo ocorre a cada 15 dias, quando a turma vai à biblioteca e seleciona cerca de 15 títulos para o varal literário, cujas capas ficam expostas num mural após a leitura. As temáticas englobam desde emoções, identidade e relações familiares até sustentabilidade, ciência, presença da matemática na literatura e valorização da cultura afro-brasileira e antirracista.
Para alcançar 180 livros lidos até o encerramento do ano letivo,a turma já deu início ao novo percurso com a obra Cores e Frutas, de Donaldo Buchweitz e Ieda Silva, com o planejamento de manter a constância diária. “Mais do que formar leitores, desejamos que as crianças associem a leitura a um momento de afeto, escuta e pertencimento. A leitura deixa de ser apenas uma atividade de alfabetização e passa a ser um encontro com a curiosidade, a imaginação e o prazer de descobrir novas histórias”, pontua a professora Aline.
Integração com as famílias: O Passacard da Leitura
Para que o incentivo ao livro ultrapasse os muros da escola e conquiste o tempo livre em casa — muitas vezes disputado com os celulares —, a escola aplica o Passcard da Leitura – Criança Craque em Leitura. Duas vezes por semana, cada aluno escolhe uma obra na biblioteca para levar para a família. Após a leitura compartilhada em casa, a criança registra a experiência em uma ficha literária e ilustra sua parte favorita.
Saiba mais:
A Marista Escola Social Lucia Mayvorne faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 21 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/






