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Brasil envelhece rápido e Florianópolis desponta no radar do Senior Living

Capital catarinense reúne qualidade urbana e demanda crescente por soluções residenciais voltadas a geração da longevidade

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O Brasil vive uma transformação demográfica profunda. A população com 60 anos ou mais cresce em ritmo acelerado e deve dobrar nas próximas décadas, impactando áreas como saúde, mobilidade, consumo e moradia. Nesse cenário, o conceito de Senior Living ganha força como uma das principais tendências globais voltadas à longevidade ativa — e Florianópolis começa a se destacar como território natural para esse novo modelo de habitação.

Mais do que moradia, o Senior Living reúne atributos ligados à autonomia, segurança, convivência, bem-estar e acesso facilitado a serviços. O conceito surge como resposta ao novo perfil da população madura, que envelhece de forma mais ativa, independente e com expectativa de vida crescente.

Os números ajudam a explicar a mudança. Segundo o IBGE, a expectativa de vida no Brasil era de aproximadamente 45,5 anos em 1940. Em 1980, passou para cerca de 62,5 anos. Em 2000, chegou a 69,8 anos e, atualmente, alcança 76,4 anos, evidenciando uma das maiores transformações sociais da história recente do país. Em pouco mais de oito décadas, o brasileiro ganhou mais de 30 anos de vida.

Essa transformação não representa apenas viver mais, mas viver melhor, com mais autonomia, participação social, consumo ativo e novos projetos pessoais. O que antes era visto como velhice tardia hoje se converte, muitas vezes, em décadas adicionais de vida ativa, produtiva e independente.

Santa Catarina lidera o ranking nacional de longevidade, com expectativa de vida próxima de 80 anos, acima da média brasileira. O estado aparece de forma recorrente entre os melhores indicadores de saúde, renda, escolaridade e qualidade de vida, fatores que ajudam a explicar por que os catarinenses vivem mais.

O avanço da longevidade catarinense é frequentemente associado à combinação entre renda, indicadores sociais, acesso à saúde, níveis educacionais e qualidade ambiental. Dados da área de saúde também posicionam Santa Catarina entre os estados com melhor desempenho assistencial do país, reforçando um ambiente favorável ao envelhecimento com qualidade de vida.

Em cidades com alta qualidade urbana, forte presença de serviços, mobilidade e vocação para saúde e bem-estar, o tema avança com ainda mais força. É nesse cenário que Florianópolis ganha protagonismo, sendo, frequentemente citada entre as melhores cidades brasileiras para viver, envelhecer e investir.

Além dos indicadores objetivos, há um fator comportamental relevante: muitas pessoas maduras mantêm forte vínculo afetivo com seus bairros, rotinas e redes de convivência. São moradores ligados às próprias raízes, que vivem há décadas na mesma região e demonstram resistência a sair de áreas centrais onde construíram sua história, amizades e referências cotidianas. Isso amplia a demanda por soluções habitacionais adaptadas dentro do tecido urbano consolidado, e não em áreas distantes.

Atenta às transformações demográficas e ao avanço desse movimento em mercados internacionais, a Cota Empreendimentos, tradicional construtora e incorporadora catarinense, vem estudando o segmento há anos e acompanhando referências nacionais e internacionais para compreender como esse mercado deve evoluir no Brasil.

Segundo Fábio Joci Martins, diretor-presidente da Cota, o debate sobre Senior Living amadureceu rapidamente e deixou de ser tendência distante. “Senior Living no Brasil e no mundo está sendo muito estudado. É um tema cada vez mais relevante. Quando começamos a olhar os números desse mercado, percebemos o tamanho da demanda e o quanto ainda existe espaço para soluções realmente bem estruturadas”, afirma.

Para ele, o envelhecimento populacional deve impulsionar mudanças permanentes no setor imobiliário. “É um caminho natural. Com o avanço da longevidade, cada vez mais empresas terão de pensar em produtos e serviços voltados a esse público”, completa.

Fábio destaca que, nesse modelo, a arquitetura deixa de ser apenas estética e passa a funcionar como instrumento de cuidado e prevenção no dia a dia. “Tudo precisa estar voltado para o cuidado do morador, desde os detalhes da arquitetura, do banheiro, iluminação de emergência, portões de pânico e uma série de soluções que aumentam segurança, conforto e autonomia”, explica.

Na prática, isso significa apartamentos planejados para reduzir riscos e facilitar a rotina: circulações amplas, pisos seguros, banheiros adaptáveis, barras de apoio estrategicamente posicionadas, iluminação reforçada, sistemas de chamada emergencial, acessos simplificados, elevadores adequados e áreas comuns desenhadas para convivência e bem-estar.

A diretora comercial da Cota, Liliane Martins, destaca que Florianópolis reúne características raras no país para liderar esse movimento. “Quando falamos em longevidade com qualidade, localização faz toda a diferença. Florianópolis combina saúde, mobilidade, comércio, segurança relativa e uma cultura muito conectada ao bem-estar. Isso coloca a cidade em posição estratégica dentro dessa nova demanda”, diz Liliane.

Ela ressalta ainda que o consumidor maduro mudou. “Hoje ´falamos de um público que valoriza independência, praticidade, bem-estar e vida social ativa. O mercado imobiliário começa a entender que envelhecer não significa abrir mão de autonomia”, afirma.

Especialistas apontam que o Brasil ainda possui déficit expressivo de moradias pensadas para esse público. Grande parte das cidades segue desenhada para famílias tradicionais ou jovens profissionais, enquanto cresce a necessidade por ambientes acessíveis, urbanos e conectados a serviços.

Estimativas demográficas indicam que, nas próximas décadas, o número de brasileiros idosos superará o contingente de crianças e adolescentes, alterando de forma estrutural o desenho das cidades e o planejamento imobiliário. Isso significa repensar calçadas, transporte, saúde, lazer e, sobretudo, moradia.

Segundo projeções populacionais, pessoas com 60 anos ou mais devem representar cerca de um terço da população brasileira até 2060, tornando o envelhecimento um dos principais vetores econômicos e urbanos do século no país.

Para o mercado imobiliário, o avanço do Senior Living representa não apenas uma nova categoria de produto, mas uma transformação estrutural. Com a população envelhecendo rapidamente, moradia voltada à longevidade tende a deixar de ser nicho para se tornar uma demanda permanente.

Mais do que acompanhar uma tendência internacional, Florianópolis começa a se consolidar como uma das cidades brasileiras mais preparadas para liderar esse novo ciclo de moradia voltada à longevidade.

“Esse movimento já impacta o planejamento urbano e imobiliário da cidade. A Cota vem estudando esse mercado há anos e já possui um projeto aprovado na região central de Florianópolis alinhado a essa nova demanda. Em breve teremos novidades”, afirma Liliane Martins. 

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