A ceratopigmentação terapêutica, procedimento que utiliza pigmentos biocompatíveis aplicados na córnea para restaurar a aparência de olhos sem visão, começa a ganhar espaço em Florianópolis. A técnica, pouco conhecida no Brasil, foi realizada de forma pioneira na cidade pela oftalmologista Dra. Alena Tolentino Lopes. O procedimento ocorreu no dia 17 de março em uma paciente de 42 anos que perdeu a visão na infância após um acidente de carro.
No próximo dia 5 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional da Pessoa com Visão Monocular, o tema ganha relevância ao trazer visibilidade para uma condição que vai além da limitação visual e frequentemente impacta a autoestima e a vida social dos pacientes.
Embora o procedimento seja amplamente conhecido no exterior por seu uso estético, no Brasil ele é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com finalidade terapêutica. Nesses casos, a indicação está relacionada à reabilitação da aparência ocular em pacientes com cegueira em um dos olhos, que podem apresentar opacidade, alterações de cor ou aspecto esbranquiçado.
O que é a ceratopigmentação terapêutica?
A técnica consiste na aplicação controlada de pigmentos na córnea, com o objetivo de aproximar o aspecto do olho afetado ao do olho saudável. A partir de um planejamento individualizado, o procedimento busca recriar tonalidades e padrões da íris, promovendo maior simetria entre os olhos.
“Em casos de cegueira, é comum que com o tempo o olho afetado apresente opacidade, alterações de cor ou aspecto esbranquiçado. A técnica atua justamente nesse ponto por meio de micropigmentação controlada, o oftalmologista recria tonalidades e padrões semelhantes ao olho saudável, promovendo um resultado visual mais harmônico e discreto”, explica a médica.
O procedimento é seguro, minimamente invasivo e personalizado para cada paciente.
Impacto que vai além da estética
A visão monocular é caracterizada pela perda total ou parcial da visão em um dos olhos. Além das limitações funcionais, como redução da percepção de profundidade. Quando, além do comprometimento da função visual, a condição também afeta a aparência do olho, frequentemente traz impactos emocionais significativos, incluindo insegurança, isolamento social e episódios de preconceito.
Segundo a médica, o impacto da técnica é imediato na forma como o paciente se percebe e se apresenta ao mundo. “Desde o início, o que mais me encantou foi o impacto real que essa técnica pode ter na vida das pessoas. Não é apenas sobre estética, é sobre devolver harmonia ao olhar e, principalmente, autoestima. Muitas dessas pessoas convivem com essa condição por anos, às vezes desde a infância, enfrentando olhares, comentários e até preconceito”, explica Alena Tolentino Lopes.
Pioneirismo em Florianópolis
A ceratopigmentação terapêutica ainda é pouco difundida no Brasil, inclusive entre profissionais da oftalmologia. “É uma abordagem que ainda precisa ser mais conhecida. Existe uma demanda reprimida de pacientes que podem se beneficiar, mas que muitas vezes nem sabem que essa possibilidade existe”, destaca a Dra. Alena Tolentino Lopes.






