O aumento no número de diagnósticos de transtornos do espectro autista (TEA) e de casos de câncer no País ampliam a pressão sobre a saúde suplementar. No Brasil, os resultados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, identificaram 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, correspondendo a 1,2% da população, ou aproximadamente 1 em cada 83 indivíduos. Já no cenário oncológico, em algumas carteiras de planos de saúde, os pacientes são apenas 0,6% dos beneficiários, mas representam mais de 15% das despesas assistenciais.
O tema foi debatido em encontro promovido pela Maida Health e Neurosteps com executivos e especialistas do setor. “O desafio é garantir atendimento e qualidade, assegurando que mais pessoas tenham acesso à saúde”, afirmou André Machado, CEO da Maida. O caminho inclui uso intensivo de tecnologia e dados estruturados sobre perfil dos pacientes, efetividade dos tratamentos e desempenho da rede prestadora.
Há muito a avançar. Um dos problemas enfrentados pelas é a falta de informações. No caso dos pacientes com TEA, é preciso conhecer o perfil básico da população atendida – idade, grau de gravidade e frequência de uso dos serviços – e avançar para a análise da evolução clínica e da efetividade dos tratamentos.
“A tecnologia permite acompanhar a evolução clínica do paciente sessão a sessão. Isso possibilita ajustes muito precisos nas terapias prescritas, o que beneficia diretamente o paciente”, diz Hiago de Melo, psicólogo e PhD em Neurociências e Diretor Técnico da NeuroSteps, healthtech presente em 15 estados brasileiros e que utiliza modelos baseados em evidências para construir jornadas de cuidado aos pacientes atendidos.
Tecnologia que aproxima
Durante o evento, a NeuroSteps apresentou as suas soluções, como o software que se integra aos fluxos assistenciais de operadoras e clínicas, permitindo consolidar dados clínicos e operacionais em um único ambiente para insights em tempo real e apoio na tomada de decisões de gestores.
A plataforma da healthtech também disponibiliza painéis com indicadores assistenciais e operacionais, incluindo produtividade, assiduidade e evolução terapêutica de pacientes TEA, ampliando a capacidade de monitoramento das terapias e de gestão da rede assistencial.
Fabrício Colacino, sócio-diretor da Oncoaudit, também destacou o papel da tecnologia na organização de informações e tratamentos de pacientes oncológicos. A lógica, acrescenta, deve ser a substituição de decisões baseadas apenas em volume de procedimentos por modelos que avaliem resultados concretos para o paciente, a partir da medicina baseada em evidências. Ele ressalta ainda a importância da organização e padronização das informações e das decisões sobre tratamentos.
Com a participação de dezenas de especialistas, a empresa desenvolveu uma plataforma que funciona como uma junta médica digital. O sistema reúne protocolos clínicos, estudos científicos e indicadores assistenciais para apoiar a tomada de decisão dos médicos. Na tela do profissional, ficam disponíveis informações sobre o tratamento indicado, justificativas clínicas e evidências científicas que sustentam a prescrição.
“A experiência mostra que em quase 80% dos casos o tratamento mais adequado também é mais barato do que aquele realizado sem coordenação adequada. Em alguns casos, a redução de perdas por indicações desnecessárias chega a 35%”, diz Colacino. Ele destaca que é fundamental preservar a autonomia do médico. “Mas com a tecnologia ele toma decisões baseadas em evidências e alinhadas a protocolos claros.”
Outro ganho apontado é a redução da judicialização. Com protocolos claros, auditoria prévia e alinhamento entre operadoras e médicos, há menos conflitos sobre cobertura e indicação terapêutica. “Chamamos o plano de saúde para sentar e conversar com os médicos. A linha de cuidado é construída em conjunto”, diz Colacino.






