O pior dos cenários para a candidatura de João Rodrigues (PSD) ao governo do Estado já não é mais um mero desenho em uma tela de hipótese. Ao passo que a pré-campanha avança e as candidaturas se movimentam, os sintomas de isolamento do projeto pessedista só crescem frente a uma projetada nacionalização da campanha de SC.
Aquilo que mais ecoou da passagem do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), por Santa Catarina, no final de semana, foi sua declaração de que Jorginho Mello (PL) é o único candidato realmente de direita na disputa. Rodrigues acusou o golpe e atirou contra o bolsonarista afirmando que ele não tem escritura para definir quem é de direita ou quem não é.
A verdade é que João Rodrigues já trocou figurinhas com lideranças de esquerda em seu passado político no Oeste Catarinense. Porém, é inegável que carrega traços do conservadorismo. Porém, representa um projeto com partidos mais de centro, como seu próprio PSD, o MDB e caso a federação PP-União Brasil feche com seu projeto, com estes também. É um projeto do centrão catarinense.
Para contrastar com essa amarra centrista, o atual tabuleiro em SC apresenta projetos bem costurados nos extremos: de um lado Jorginho com uma chapa que representa o que mais há de direita no País: PL e Novo, principalmente. De outro lado Gelson Merisio (PSB) conseguiu unir todas as frentes de esquerda no Estado em torno de um só projeto, com a mão pesada do presidente Lula como fio condutor da amarra.

Este último, Merisio, além de carregar o potencial de Esquerda com o objetivo de lhe projetar para o segundo turno, ainda apresenta uma ameaça aos votos que, em tese, estariam com João Rodrigues. Além de também ser do Oeste, base política do pessedista, também transita muito bem nesse voto de centro, do chamado eleitor ‘equilibrado’. Merisio, em sua primeira aparição política recentemente, inclusive se apresentou “paz e amor”, numa clara sinalização de que vai tentar atrair o voto do eleitor centrista.
Para piorar o cenário de João, seu PSD ainda não conseguiu construir um projeto forte para disputar a Presidência da República. Tem a frente do projeto o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que não chega aos dois dígitos nas intensões de voto. João terá mais que ajudar Caiado no Estado, que contar com seu projeto para lhe alavancar. Diferente do que ocorreria se o nome do PSD tivesse sido o governador do Paraná, Ratinho Jr.
Diante de todos esses fatos – não confabulações – resta à João tentar estadualizar o debate em uma eleição que é contaminada com a disputa nacional. Parece até irônico isso que afirmei. Mas é o sintoma atual das disputas políticas estaduais. Há dois pleitos que o Bolsonarismo elege o governador em Santa Catarina, o Estado que lhe pertence. A esquerda nessa eleição se fortaleceu para, ao menos, conseguir ir ao segundo turno, como no pleito passado. Encolhido, João Rodrigues, pode ficar falando sozinho!





