Os desafios, oportunidades e os projetos de urbanismo e ocupação dos espaços públicos que irão transformar e redesenhar Florianópolis nos próximos anos seguem no centro das discussões. Nesta quarta-feira (8), o evento Florianópolis do Amanhã apresentou iniciativas que já estão em desenvolvimento e que devem impactar a qualidade de vida da população.
Promovido pela RBV Incorporadora, o encontro teve como proposta ampliar o diálogo sobre o futuro da Capital, aproximando a sociedade das discussões sobre planejamento urbano, transporte coletivo, requalificação do centro e novos espaços de convivência.
“Florianópolis vive um momento importante de transformação e acreditamos que essas mudanças precisam ser compartilhadas com a sociedade. O Florianópolis do Amanhã nasceu justamente para aproximar as pessoas dos projetos que estão sendo construídos para a cidade, reunindo quem está à frente dessas iniciativas e promovendo um debate qualificado sobre o futuro da Capital”, destaca Gustavo Bulcão Vianna, sócio da RBV Incorporadora.
Marcaram presença diversas frentes da Prefeitura de Florianópolis, CDL Florianópolis, ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis), FloripAmanhã, Floripa Sustentável, JL Construções, Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), empresários e cidadãos.
Floripa 400
Abrindo o ciclo de apresentações, o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, apresentou o programa Floripa 400.
O projeto de planejamento urbano de longo prazo traz as diretrizes estruturadas para os próximos 48 anos, preparando a cidade para o aniversário de 400 anos da cidade, em 2074.
“Se a gente não pensar agora na cidade que queremos daqui a 47 anos, lá na frente, não vamos chegar a lugar nenhum”, afirmou Topázio Neto.
Durante a participação, o prefeito destacou os principais eixos do programa, que busca pensar a cidade além dos ciclos de governo, construindo políticas públicas que se sustentem no tempo.
A proposta é baseada em seis eixos estruturantes; a Cidade Conectada, que promove mobilidade e integração digital; Cidade das Águas, que cuida dos recursos hídricos; Cidade Saudável, que estimula o bem-estar físico e mental; Cidade Educadora, que é gentil e oferece oportunidades de aprendizagem em todos os espaços; Cidade Inclusiva, que acolhe a diversidade; e a Cidade Sustentável, que preserva o meio ambiente e garante qualidade de vida às futuras gerações.
“Vamos começar a discutir com esse grupo que está aqui e outros tantos a cidade que a gente quer para o futuro. As pessoas querem morar em Florianópolis exatamente pelo jeito que ela é. O que nós temos que fazer é organizar esse desenvolvimento”, destacou o prefeito da Capital.
Parque Marina e a ampliação dos espaços públicos na Beira-Mar
Um dos destaques da programação foi a apresentação do engenheiro civil João Luiz Felix, da JL Construções, responsável pelo projeto Parque Urbano e Marina da Beira-Mar, empreendimento que vem sendo apontado como uma das principais intervenções urbanísticas da história recente de Florianópolis.
O palestrante detalhou o conceito do Parque Marina, localizado na Beira-Mar Norte e sob responsabilidade da Prefeitura de Florianópolis. O projeto prevê uma área de concessão de 440 mil metros quadrados — cerca de três vezes o tamanho do Parque de Coqueiros.
Na infraestrutura náutica, a proposta é de um espelho d’água de 300.798,80 m² e capacidade para 461 embarcações de até 120 pés, sendo 431 vagas em área privada e 30 vagas em área pública.
Além da marina, o empreendimento inclui setores voltados à gastronomia, serviços, esportes, lazer, contemplação e eventos.
Entre as estruturas previstas estão skatepark olímpico, quadras esportivas e de areia, academia, playground, praça da cidade, praça d’água, feira livre, petplace, arquibancada, escola de vela, além de ciclovias, eixos para pedestres e acessos para transporte náutico.
Floripa Centro e a valorização dos espaços públicos
A secretária municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Tomasi, apresentou as diretrizes do projeto Floripa Centro: Repensando seus Espaços Públicos para as Pessoas, que propõe uma nova visão para a região central da cidade, com base no estudo do arquiteto dinamarquês Jan Gehl.
A apresentação destacou a necessidade de um centro mais humano e sustentável, com prioridade para mobilidade ativa, ampliação de áreas verdes, qualificação dos espaços públicos e incentivo ao uso misto entre moradia, comércio e serviços.
“A gente não fala mais em novos bairros em Florianópolis. Nós nem podemos pensar muito mais em expansão urbana porque falaríamos de uma cidade muito custosa. A gente tem que pensar em regenerar a cidade que nós já temos, que a gente já construiu, mas que tem alguns pontos que precisam e merecem mais atenção”, explicou Tomasi.
Entre os projetos-piloto apresentados estão a Nova Praça do Mercado, a zona escolar da Rua Esteves Júnior, a conexão cidade-mar na Beira-Mar Norte e a qualificação dos espaços públicos da orla.
A Nova Praça do Mercado foi descrita como um destino verde e vibrante, com jardins de infiltração, quiosques, pavilhões, áreas de convivência, espaços de brincar e conexão com o Mercado Público, a Avenida Paulo Fontes, o TICEN e o futuro BRT.
Na Rua Esteves Júnior, a proposta prevê uma zona escolar com redução da velocidade dos veículos, ampliação da segurança para pedestres e integração entre rua e praças como um sistema de espaço público voltado às cerca de 5 mil crianças e jovens que circulam diariamente pela região.
O projeto também aborda a reconexão da cidade com o mar, propondo reflexões sobre as travessias da Beira-Mar Norte, a transformação da via expressa e a criação de parques lineares, corredores verdes e infraestrutura azul para retenção de águas pluviais.
Entre as diretrizes de longo prazo apresentadas estão a implementação de zonas de 30 km/h no centro, a ampliação da rede cicloviária, a redução gradual de vagas de estacionamento nas vias, o incentivo ao transporte público e à mobilidade ativa, além da criação de corredores verdes ao longo de eixos estratégicos da cidade.
“Os projetos vêm como uma forma de direcionar o investimento público dentro dos espaços públicos para que as pessoas voltem a usar o centro da cidade como ele deve ser usado. Espaço público para as pessoas e tirando cada vez mais os carros da rua”, acrescentou Ivanna.
BRT Floripa e a reestruturação da mobilidade urbana
Por fim, o secretário municipal de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, Rafael Hahne, apresentou os avanços do futuro BRT (sigla em inglês para Bus Rapid Transit) de Florianópolis e os desafios da mobilidade urbana em uma cidade onde a dependência do transporte individual ainda é predominante.
Segundo os dados apresentados, 48,71% dos deslocamentos são realizados por automóveis ou motocicletas, enquanto 25,90% ocorrem por ônibus e 25,39% a pé ou por bicicleta.
Para o secretário, esse cenário evidencia a necessidade de inverter a lógica atual, priorizando um transporte coletivo de alta capacidade, confortável e confiável.
A proposta do BRT prevê a implantação de corredores exclusivos para ônibus, estações modernas, tecnologia de embarque rápido e gestão semafórica inteligente.
O sistema foi apresentado como um organismo integrado, capaz de criar um anel viário de fluxo contínuo em torno do Maciço do Morro da Cruz e eliminar gargalos históricos da malha urbana.
Entre os legados esperados estão maior previsibilidade do sistema, priorização do transporte coletivo, requalificação de calçadas, arborização, ciclofaixas e a devolução das ruas aos cidadãos.
Finalizando o Florianópolis do Amanhã, Topázio Neto destacou que é possível fazer muito mais ainda pela cidade.
“Nós podemos mais, podemos nos desenvolver compartilhando esse movimento com todos, trazendo prosperidade para as pessoas que moram na cidade. Não podemos nos acostumar com pouco, a gente pode muito, a gente pode mais. Mas a gente só pode, mas se a gente for junto, sozinho, ninguém vai andar”, afirmou o prefeito.








