Abordar temas como autonomia, respeito aos limites do corpo e prevenção a violações de direitos com crianças e adolescentes exige delicadeza, linguagem adequada e estratégias pedagógicas que façam sentido para o público infantil. Como as escolas podem tratar assuntos complexos de forma acessível e transformadora? Na Marista Escola Social Lúcia Mayvorne, localizada no Morro do Monte Serrat, em Florianópolis, a resposta veio por meio do protagonismo dos próprios estudantes com o projeto “Meu Corpo, Minha Casa”.
Liderada pela professora de Ciências dos Anos Finais, Larissa Penha, a iniciativa coloca adolescentes de 12 a 14 anos (estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental) no papel de agentes multiplicadores. A proposta nasceu do interesse dos próprios alunos em aprofundar discussões sobre saúde e respeito. “Antes de abordar diretamente temas mais complexos, como a sexualidade, nós da equipe pedagógica identificamos a importância de consolidar conceitos fundamentais: o entendimento de que o corpo é um espaço individual, a relevância do consentimento e o direito de dizer ‘não’”.
Estudantes como multiplicadores do conhecimento
A metodologia do “Meu Corpo, Minha Casa” combina momentos de formação teórica com a aplicação prática do aprendizado. Na primeira etapa, os adolescentes realizam oficinas formativas embasadas pelos conteúdos pedagógicos da Campanha Defenda-se — iniciativa do Grupo Marista focada no combate e na prevenção de violências contra crianças e adolescentes.
Em seguida, os estudantes assumem o desafio de traduzir e adaptar esse conhecimento para crianças de 7 e 8 anos (estudantes do 2º ano dos Anos Iniciais). Para isso, eles criam materiais visuais e conduzem dinâmicas interativas, como oficinas de pintura, jogos de perguntas e rodas de conversa. Entre as ferramentas utilizadas para ilustrar o respeito aos limites de forma lúdica está o “Semáforo do Toque”, que ajuda as crianças menores a identificar situações confortáveis e sinalizar momentos de incômodo.
“Trabalhar o consentimento e a autonomia sobre o próprio corpo desde a infância é fundamental para que as crianças compreendam que seus corpos pertencem a elas e que seus limites devem ser respeitados. Trata-se de uma aprendizagem que contribui para o desenvolvimento da autonomia, da autoestima, da segurança e do respeito nas relações “, destaca a professora.
Ambiente seguro e fortalecimento da rede de proteção
Ao promover a participação ativa dos alunos, o projeto cria um espaço seguro para que as crianças expressem o que aprenderam e reflitam sobre o seu cotidiano. Durante as atividades, a equipe pedagógica observa que, ao compreenderem seus direitos e limites, muitos alunos passam a compartilhar espontaneamente experiências, dúvidas e percepções do dia a dia.
“Essas manifestações são acolhidas pelos educadores como oportunidades educativas e pontos de atenção. Para garantir a segurança dos estudantes, nossa escola conta com fluxos estruturados de apoio: caso surja qualquer relato que sinalize desconforto ou violação de direitos, são acionados o Núcleo de Proteção da escola, os protocolos da Escuta Especializada do Município de Florianópolis e a Política de Proteção Integral do Marista Brasil, em articulação direta com o Conselho Tutelar e o Serviço Social”, explica a diretora da unidade, Fráya Cunha.
Saiba mais:
A Marista Escola Social Lúcia Mayvorne faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 21 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/









