O III Encontro dos Transplantados, realizado no Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF) na tarde desta segunda-feira (21), reuniu médicos, cerca de 20 receptores de córnea e duas famílias doadoras, em um momento de reencontro e troca de experiências sobre a nova vida após o transplante. O encontro também reforçou a importância da conscientização sobre o tema, às vésperas do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro (próximo domingo).
A programação contou com a participação do coordenador da Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina (SC Transplantes), Joel de Andrade, e do diretor técnico do HOF, Ernani Garcia (responsável pela realização de mais de 300 transplantes de córnea). Profissionais da SC Transplantes e do HOF falaram sobre a importância da doação de órgãos, a distribuição de córneas e a logística dos transplantes. A proposta foi apresentar, de forma acessível, o caminho percorrido desde a doação até a chegada do tecido ao paciente que aguarda pelo procedimento.
Somente em 2025, em Santa Catarina, foram realizados 1.708 transplantes, somando as redes pública e privada, conforme dados da SC Transplantes. Desse total, 700 foram transplantes de tecido ocular. No HOF foram realizados 30 de córnea e nove de esclera. O estado catarinense está no topo do ranking nacional de doações, com o maior número de doações por milhão de população. Mesmo assim, neste momento, temos 693 pacientes ativos (dados da SC Transplantes de 16 de setembro) aguardando córnea.
Joel de Andrade enalteceu a realização do evento, que desde sua primeira edição (em 2018) conta com o apoio da SC Transplantes, que fica responsável pelo convite para a família doadora. Para ele, o ponto chave é a doação: “É importante que existam médicos e profissionais da saúde preparados e hospitais equipados para poder realizar os transplantes. Mas o mais importante é termos famílias conscientes com a doação. Elas é que dão sentido a todo o nosso trabalho”.
O oftalmologista Ernani Garcia, que realiza transplantes desde 1995, resumiu o encontro como um momento de muita emoção: “Ouvir os testemunhos dos nossos pacientes, conhecer suas histórias e acompanhar de perto o impacto que o transplante teve na vida de cada um, nos faz lembrar do verdadeiro sentido desse trabalho. Para mim, é uma grande alegria poder realizar esses procedimentos e contribuir para que essas pessoas tenham uma nova oportunidade de enxergar e retomar suas vidas”.
Ele reforçou a importância da doação de órgãos e lembrou que o processo tem sido cada vez mais transparente e organizado. “Esse encontro também serve para reforçar a importância da doação de órgãos e mostrar que hoje esse processo é conduzido com muita transparência, respeito e profissionalismo. As famílias podem ter segurança de que tudo é feito com seriedade e cuidado, respeitando cada etapa e cada pessoa envolvida”, enfatizou o médico.
Para Andresa Regina dos Santos, mãe de Wesley, que faleceu aos 19 anos após um acidente de moto, a doação de órgãos sempre foi um assunto presente na família: “Eu sou doadora e já havia conversado com o Wesley sobre a importância de ser doador de órgãos. Então, quando foi constatada a morte encefálica, mesmo com a dor da perda, eu já tinha a decisão de autorizar a doação muito clara. Acho importante que as famílias conversem sobre esse assunto antes, porque, em um momento de tragédia, é muito difícil tomar uma decisão tão importante quanto essa”.
Outro depoimento forte foi de Liane Scherer, que contou aos participantes a história de sua irmã Aline, de 30 anos. Atropelada por uma moto em Florianópolis, ela teve seus órgãos doados. “Essa é a primeira vez que participo de um encontro desse e é importante ver quantos puderam ser ajudados graças aos doadores”, relatou emocionada, ao mesmo tempo em que era abraçada por Andresa.
O HOF é um dos centros médicos credenciados pela SC Transplantes para a realização de transplantes de córnea. Em 2011, o HOF passou a integrar a rede de centros médicos credenciados pela SC Transplantes. Desde então, o hospital realiza transplantes de córnea e acompanha os pacientes também após o procedimento.








