A agenda técnica que antecedeu a programação oficial do CREA Summit 2026 teve início nesta quinta-feira (26), com a realização de seminários temáticos organizados pelas comissões do CREA-SC. Todos os pré- eventos temáticos e o Summit 2026 tem o apoio institucional e financeiro do Confea e da Mútua. O Seminário de Sustentabilidade Ambiental reuniu especialistas, instituições públicas e lideranças para discutir os impactos das mudanças climáticas e caminhos para o desenvolvimento sustentável em Santa Catarina. O Crea Summit 26 ja tem mais de 4600 participantes inscritos.
A abertura foi conduzida pela coordenadora da Comissão de Meio Ambiente, engenheira Letícia Lunardi, que ressaltou o papel da integração entre profissionais e instituições. “Nosso papel é disseminar conhecimento e promover a conexão entre diferentes áreas para fortalecer as ações ambientais no estado”, afirmou.
A vice-presidente do CREA-SC, engenheira Fernanda Vanhoni, destacou a responsabilidade da engenharia na construção de soluções sustentáveis. “A engenharia tem um papel fundamental na construção de soluções sustentáveis. Eventos como este fortalecem o conhecimento técnico e ampliam a responsabilidade dos profissionais com o futuro das cidades e das pessoas”, disse.
O presidente do CREA-SC, engenheiro Kita Xavier, reforçou a relação entre sustentabilidade e qualidade de vida. “Falar de meio ambiente, acessibilidade e mobilidade é falar de respeito pelas pessoas. Inovação é cuidar das pessoas e promover o avanço da sociedade”, afirmou, ao destacar o Summit como espaço de imersão, troca de experiências e conexão.

Ainda na abertura, foi enfatizada a necessidade de atuação responsável dos profissionais diante das discussões sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, evidenciando o papel do CREA-SC na fiscalização, na orientação sobre atribuições profissionais e na correta emissão e baixa das Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs).
Mudanças climáticas e transição energética
A primeira palestra abordou as mudanças climáticas e a transição energética, com participação da engenheira Mariane Murakami, diretora de Clima, Energia e Transição Energética da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (SEMAE), e do secretário-adjunto da SEMAE, Guilherme Dallacosta.
Dallacosta apresentou a estrutura da pasta, criada em 2023 para dar maior protagonismo à agenda ambiental em Santa Catarina e impulsionar a economia verde. Entre os programas destacados estão o SC Mais Saneamento, o Programa Mais Verde — com investimento de R$ 70 milhões —, além de iniciativas como o “Jogue Limpo com o Meio Ambiente” e o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Ao tratar dos desafios climáticos, Mariane foi enfática ao apontar a urgência do tema. “Os estudos mostram que precisamos agir com urgência. O que está sendo feito ainda não é suficiente diante da escala das mudanças climáticas”, afirmou, ao apresentar dados recentes sobre impactos ambientais e econômicos.
Também foi apresentado o programa SC 2050 – Transição Energética Justa, voltado à ampliação do uso de fontes renováveis de forma planejada, conciliando desenvolvimento econômico e redução de impactos sociais.
Saneamento, balneabilidade e economia verde
O tema do saneamento e da balneabilidade foi apresentado pelo diretor do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Diego Hemkemeier Silva, com participação da gerente Maria Joana Allievi. A apresentação trouxe orientações sobre os critérios de monitoramento e alertas importantes à população.
“A transparência não garante que a água esteja própria para banho, assim como a presença de sedimentos não significa, necessariamente, contaminação”, explicou Hemkemeier. O IMA realiza coletas semanais durante a temporada e disponibiliza os resultados ao público.
A diretora Adriana Hansen, do CTE e representante do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), abordou o tema “Cidades Verdes: Construção Sustentável e Adaptação Urbana”. A palestra destacou a importância das certificações ambientais e da adoção de práticas mais eficientes no setor da construção civil.
Dados apresentados indicam que os edifícios são responsáveis por até 75% do consumo de recursos naturais no Brasil, além de 52% do consumo de energia elétrica, o que reforça a necessidade de transformação no setor.
A indústria também esteve em pauta com o case “Fábrica carbono neutro na prática”, apresentado por Rafael Damiani, gerente da Nidec GA. Ele detalhou as estratégias adotadas pela empresa para alcançar a neutralidade de carbono até 2030, evidenciando o papel do setor produtivo na agenda de descarbonização.
Uso do território e sustentabilidade
A programação avançou para o debate sobre ocupação sustentável do território. O advogado Marcos Saes abordou a regularização em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e restinga, destacando os aspectos legais, os desafios na aplicação da legislação e a necessidade de conciliar desenvolvimento com preservação ambiental.
O tema da arborização urbana foi apresentado pelo professor Eleandro José Brun (UTFPR) e por Gisele Herbst Vazquez (CNF), que destacaram os benefícios ambientais e sociais da ampliação das áreas verdes nas cidades.
Encerrando as apresentações, o engenheiro agrônomo e presidente da Epagri, Dirceu Leite, apresentou as ações inovadoras da entidade voltadas ao incentivo de cultivos ambientalmente sustentáveis. “Para ser sustentável ambientalmente, precisa ser sustentável financeiramente. A agricultura é a base do desenvolvimento humano, garante a segurança alimentar e sustenta comunidades rurais e urbanas”, afirmou. Leite ressaltou que a Epagri é referência nacional em tecnologia para a sustentabilidade no campo, atendendo 123.430 famílias rurais, segundo dados de 2025.
O seminário também trouxe duas mesas-redondas que reuniram os palestrantes para aprofundar os temas discutidos ao longo do dia e promover a troca de experiências com o público presente.








