Santa Catarina conta com mais de 89 mil profissionais de enfermagem com inscrição ativa no Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SC), distribuídos entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. É essa força de trabalho que sustenta, diariamente, a assistência à saúde em hospitais e unidades de saúde em todo o estado e que, entre os dias 12 e 20 de maio, é celebrada na Semana da Enfermagem.
A data homenageia Florence Nightingale, pioneira da enfermagem moderna, e Ana Néri, enfermeira brasileira e a primeira a se alistar voluntariamente em combates militares. Para o Conselho Internacional de Enfermagem (ICN), a profissão é dedicada a defender o direito de todos ao mais alto padrão de saúde possível, fundamentada em conhecimento científico, capacidade técnica, padrões éticos e compromisso com a compaixão, a justiça social e o acesso equitativo ao cuidado.
Os hospitais filantrópicos respondem por 71% dos atendimentos de alta complexidade realizados pelo SUS em Santa Catarina. Em muitas regiões do interior do estado, essas instituições representam o único acesso da população à atenção hospitalar. É a enfermagem que sustenta esse cuidado nas internações, nas cirurgias, nas urgências e emergências e nos atendimentos de média e alta complexidade, 24 horas por dia.
“Falar da rede filantrópica é falar da força da enfermagem. São esses profissionais que permanecem ao lado do paciente a cada hora, garantindo cuidado, acolhimento, segurança e humanização. Em momentos desafiadores, como a pandemia, ficou ainda mais evidente que nenhum hospital funciona sem uma enfermagem forte, preparada e comprometida”, afirma a presidente da FHESC, irmã Neusa Lúcio Luiz.
Para ela, valorizar a enfermagem é condição para a sustentabilidade do próprio cuidado em saúde. “Não existe assistência segura, humanizada e resolutiva sem equipes reconhecidas, capacitadas e fortalecidas. A enfermagem traduz a missão filantrópica do cuidado humanizado, o olhar atento, a escuta, o acolhimento e a dedicação que expressam os valores de solidariedade que sustentam esses hospitais dentro do SUS.”
Avanços reconhecidos, desafios persistentes
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Urussanga, a gerente de enfermagem Jaiciana Ramos Vieira descreve uma categoria que ocupa hoje posição central na estrutura hospitalar. “A enfermagem é um dos pilares mais importantes do hospital. Atuamos na assistência direta ao paciente, na organização do cuidado, na promoção da saúde, na prevenção de doenças e no gerenciamento das equipes”, explica.
Entre os avanços recentes, Jaiciana destaca o piso nacional da enfermagem como conquista histórica. “É algo que foi buscado por muito tempo. Apesar de algumas instituições ainda enfrentarem dificuldades no pagamento do adicional, representa um reconhecimento importante da categoria.”
Os desafios, no entanto, persistem. “O aumento da demanda e a falta de profissionais dificultam a excelência no atendimento. Além disso, a enfermagem precisa de bom preparo psicológico para lidar com situações de sofrimento e perdas”, aponta Jaiciana. Na gestão, ela acrescenta: “A falta de mão de obra e de recursos financeiros é um dos fatores que mais retarda um bom atendimento e uma boa recuperação do paciente.”
Os hospitais associados à AHESC e à FHESC têm ampliado investimentos em qualificação permanente, educação continuada, desenvolvimento de lideranças e participação da enfermagem nos processos de gestão, qualidade e segurança do paciente. A presença da categoria nas decisões institucionais é apontada pelas entidades como caminho para reconhecimento profissional.
O presidente da AHESC, Maurício José Souto-Maior, ressalta que a valorização da enfermagem está diretamente ligada à saúde financeira das instituições. “Os profissionais precisam estar satisfeitos no ambiente hospitalar para atender bem. Toda forma de valorização é uma tônica que os hospitais adotam e sempre vão adotar. Mas sem recursos adequados, é difícil garantir as melhores condições de trabalho e a retenção desses profissionais.”
A AHESC e a FHESC atuam junto a entes públicos estaduais e federais para que legislações e repasses financeiros sejam proporcionais ao desafio assistencial das instituições. “As entidades trabalham com muita intensidade para articular com o poder público, levando os pleitos da rede hospitalar e buscando que os recursos financeiros sejam proporcionais ao desafio do dia a dia hospitalar e às responsabilidades do quadro profissional”, reforça Souto-Maior.






